Este lençol que alvejo é sacramento do amor que sinto por Norberto. Esta lida constante de quarar o que está amarelado é imperativo de minha condição de mulher. Voz que ouço em tonalidades diminutas, tristonhas, ordenando-me: "Clareia o mundo, retira a poeira das almas e endireita os caminhos humanos!". (MELO, Pe. Fábio De. Mulheres cheias de graça, 2015, p.162)
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Amor inacabado IV.
Aquele infeliz sempre me olhou com olhares "confundentes". Jamais pude saber se me queria ou não. Nunca utilizou a clareza como regra, como se a vida tivesse que passar obrigatoriamente pelo filtro da dúvida.
De vez em quando ele chegava. De vez em quando ele partia. Intermitentes processos de deslocamento que deixavam meu coração em sobressaltos de expectativa.
(MELO, Pe. Fábio De. Mulheres cheias de graça, 2015, p.159).A compulsiva IV.
Conheci Lucilda na primeira escola. Sempre foi uma mulher sem graça. Nos tempos de menina quando todas nós ostentávamos imensos laços de fitas nos cabelos, ela já se apresentava com aqueles cabelinhos mirrados e sem brilho. Os óculos pareciam fundos de garrafa. Para agravar ainda mais o quadro, era proprietária de uma merendeira com formato de elefante. Tudo aquilo lhe dava um aspecto terrível. Parecia um cachorro que havia caído da mudança. Ninguém gostava de dividir absolutamente nada com ela. (MELO, Pe. Fábio De. Mulheres cheias de graça, 2015, p.20).
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